As vezes, apenas as vezes, eu perco toda a fé no ser humano. Olho à minha volta e tudo parece demasiado imperfeito para ser sustentável; o ser humano parece ser o único animal capaz de levar a cabo os mais hediondos e maléficos actos usando como pretextos coisas como a justiça, a moral, o bem, o amor… As vezes, também apenas as vezes, quando em posse de algo extremamente belo, puro e verdadeiro nos, humanidade, tornamo-nos fanáticos capazes de tudo para não se desprenderem desse tesouro, podemos ver esse doentia afeição naqueles que amam demais, que guerreiam demais, que se magoam demais. Outras vezes, mais que “outras vezes”, na verdade, nós, seres humanos – esses sacaninhas que tentam ocupar o lugar dos deuses – simplesmente não reconhecemos o que é bom nem o que é belo; o ser humano vagueia deprimido e em conflito interno e para com o mundo, envenena tudo a sua volta com uma atroz falta de fé, de devoção, de entendimento; há os que se revoltam, os que se conformam e aqueles que continuam…sozinhos entre multidões.
A toda a hora eu procuro encontrar-me neste mundo. Porque estou aqui? Porque sou assim? Porque são os outros assim? Na verdade, quando não obtenho respostas – a maior parte das vezes – eu tento acreditar que há um motivo que me possa guiar entre caminhos de beleza e de bondade, eu procuro um ponto para colocar no horizonte para penar “é ali que reside a felicidade”, algo que me faça crer que tudo valerá a pena para lá chegar, um sonho, um objectivo, uma pessoa…talvez, uma devoção que me dê coragem para sofrer na esperança de vera minha dor terminada.
Receio bem que a natureza humana seja profundamente egocêntrica, que não haja espaço para o altruísmo, mesmo para o altruísmo a dois – o amor.
Num mundo perfeito talvez eu pudesse ir atrás de ti, ter algum do teu tempo, partilhar alguns dos meus segredos…partilhar algo que significasse o mesmo para ambos. Nesse mundo menos imperfeito – pedir que seja perfeito é idílico demais – eu…não teria que escrever coisas deste género.
Não apenas as vezes, mas quase sempre, o silêncio não é suficiente para esquecer que existes, de alguma forma, em algum sítio.
P.S.: Foi um longo dia, eu devo estará enlouquecer…De qualquer maneira escrever-te faz-me sentir bem, faz-me sentir vivo, consegues imaginar porque? Porque sei que quando acordar terei uma resposta tua, e isso, nos meus piores dias, faz-me crer que vale a pena acordar.