domingo, 17 de janeiro de 2010

M para L 2


Eu gostava de poder ir, voltar-te as costas e ir sem que te sentisses magoado. Eu te garanto que caminharia com o coração despedaçado, com a alma arruinada, mas se fosse preciso fazia-o 365 vezes para não seres tu a sofrer, porque eu já conheço esse sofrimento, já lhe dou um nome, convido-o sentar-se comigo à mesa, conheço-lhe os jeitos e o temperamento, até dorme comigo…mas tu não, tu ainda és um ingénuo…e é essa ingenuidade que me fere.

Por um lado eu sei que estou a ser cruel, porque sei que poderia ser um pouco mais masoquista e continuar a figurar na tua inabalável auto-estima e a habitar na sombra do teu egocentrismo, mas eu queria fazer-te ver que me magoas, que ages mal para comigo! Tenta perceber que não podes brincar com aqueles que podem tomar as tuas brincadeiras como sérias, não podes enfiar na mão de alguém a ideia de que estas apaixonado e depois, quando essa pessoa vier atrás de ti, dizer que afinal já não é bem assim. A isso chamo cruel ingenuidade…e a tua é particularmente cruel…apenas porque é comigo!

Na verdade eu sei qual o lugar que ocupo na tua vida, fico entre aquele que conheceste e perdeu o interesse e o que actualmente é o mais interessante. No fundo sou um pouso que se repete para ser o teu repouso.

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